Confeitaria da zona sul de São Paulo tenta barrar entrada de cão-guia



Na última quarta feira (9), o Passaporte Acessível realizou uma entrevista com a blogueira Mellina Reis, uma viajante que vive com deficiência visual.


A confeitaria Atelier Alessandra Tonisi, unidade Saúde, foi o local escolhido pela entrevistada que chegou acompanhada do marido e sua cadela-guia. Logo atrás, a repórter do Passaporte Acessível presenciou o despreparo de duas funcionarias do local. Veja o relato completo de nossa repórter:


Segundo uma das colaboradores, embora a confeitaria seja pet friendly, a pessoa com deficiência visual não poderia permanecer no ambiente interno com sua cadela-guia, e teria de se sentar ao lado de fora.


O marido de Mel, que já está acostumado a passar por situações como essa, explicou que se tratava de uma cadela-guia e que por lei, ela poderia permanecer ali, mesmo que o local não fosse pet friendly.


O casal relata que a lei nº11.126 , que assegura a entrada de cão-guia em qualquer ambiente, é pouco conhecida nos estabelecimentos comerciais do país.


A funcionária, relutante, insistiu ao afirmar que animais são permitidos somente na área externa. Paciente, o marido da entrevistada explicou novamente sobre a lei e que não se tratava de um pet que estava acompanhando sua tutora a passeio e sim "auxiliando uma pessoa com deficiência visual que depende 100% da presença do cão guia".


A entrevistada permaneceu sentada com a cadela enquanto a cena constrangedora se estendia. Após a insistência do companheiro para convencer a funcionária da permanência do animal, ela concordou e voltou ao balcão de atendimento junto a outra colaboradora.


O marido então foi embora e começamos a entrevista. Porém durante os primeiros minutos houveram muitos olhares e sussurros entre as funcionárias, tornando a situação constrangedora.


A entrevistada que possui um blog sobre viagem relatou que, infelizmente, casos como esses acontecem com frequência no seu dia a dia, mas que achou estranho o comportamento da equipe, pois já havia frequentado o local antes.


Ela ainda contou que a última vez que foi à confeitaria, em um sábado, o local estava cheio, diferente do cenário encontrado no dia da entrevista e talvez, por esse motivo, a entrada não tenha sido impedida.


O que diz a empresa


Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Confeitaria Atelier Alessandra Tonisi, que lamentou o ocorrido e se desculpou pela situação. Segundo a assessoria, "esse tipo de comportamento não condiz com o perfil da empresa". Também foi ressaltado que o quadro de funcionários é novo e ainda está passando por treinamento e que a funcionária em questão já foi orientada.



Comentário


Situações como essas nos fazem refletir sobre o despreparo, falta de conhecimento e, em algumas situações, descaso por parte das empresas ao lidarem com pessoas com deficiência. Trabalhamos para que essa pauta ganhe visibilidade para que todos tenham direito de acesso a todos os lugares.


Ao passar ou presenciar por situações como essa, denuncie! Para isso, acesse o site do PROCON de sua cidade. Essa é uma forma de fazer com que as empresas entendam suas responsabilidades e passem a enxergar pessoas com deficiência como consumidores relevantes.



Não bastasse a dificuldade estrutural como falta de rampas, barras de apoio nos banheiros, larguras de portas que impossibilitam ou dificultam a passagem de cadeiras de rodas, ausência de cardápio em braile, entre outras ferramentas que promovem a acessibilidade, pessoas com deficiência e seus acompanhantes passam por situações constrangedoras, como a relatada acima, de forma frequente.

Por isso, o atendimento é primordial. Funcionários e colaboradores precisam ser treinados, e toda equipe deve estar a par sobre leis que envolvam os direitos de pessoas com deficiência.





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