Pessoas com deficiência gastam mais em viagens e movimentam bilhões de dólares anualmente

Atualizado: 14 de dez. de 2021




Para além de uma luta social, acessibilidade no turismo é uma demanda de mercado. E os números mostram que o negócio na área não é nenhum pouco pequeno, e cada vez mais, o amadorismo vem perdendo espaço para soluções mais robustas de acessibilidade.


Para se ter ideia desse montante, só nos Estados Unidos, nos anos de 2018 e 2019, mais de 27 milhões de viajantes com deficiência realizaram 81 milhões de viagens, gastando um total $58.7 bilhões de dólares! Ao fazer uma média anual, nota-se que esse número é resultado é resultado de um crescimento exponencial. Em 2002, adultos com deficiência gastaram cerca de US$ 13,6 bilhões e, nas viagens de 2015, foram US$ 17,2 bilhões. É o que mostram os dados da pesquisa realizada pela The Open Doors Organization, em 2020.



No continente europeu, a demanda por acessibilidade é de mais de 127 milhões de pessoas, sendo que 89 milhões delas representam um potencial mercado de consumo de produtos turísticos. Se multiplicarmos esse número por 0,5, referente a amigos e familiares, chegamos a um total de 134 milhões de pessoas com potencial de consumo para viagens adaptadas na Europa.


Na Alemanha, a intensidade de viagem dessa população é de 54,3%, o que equivale a 3,64 milhões de indivíduos com restrições de mobilidade.


O mercado europeu de turismo acessível mostrou que 70% das pessoas com deficiência têm capacidade financeira e física para viajar. Isso se traduz em receitas potenciais de até €88 bilhões até 2025.


Já na Austrália, em 2020 estimou-se que essa demanda compreende cerca de 25% do mercado de turismo do país.


Viajante com deficiência gasta mais





Alguns tipos de deficiência fazem com que as pessoas precisem de recursos que, para muitos, é visto como luxo.


Para além de ostentação, é comum que pessoas com deficiência necessitem de quartos mais amplos em hotéis e de viajar na classe executiva dos aviões. Em média, uma passagem aérea em classe executiva pode custar até quatro vezes mais do que uma passagem econômica.


"Como um viajante ávida com múltiplas deficiências, só posso reservar quartos de hotel que tenham ar condicionado (para evitar enxaquecas e náuseas) e geladeira (para guardar meu remédio líquido, que precisa permanecer frio para fazer efeito). Eu não posso sentar na parte traseira de um avião por causa dessas mesmas questões, então eu tenho que estar atenta a que parte do avião eu me sento durante os voos", relatou a comunicadora norte-americana Wendy Lu.


No entanto, a capacidade de escolher certos serviços, como por exemplo assento específico em um voo, geralmente tem um custo extra, ainda que esteja viajando de classe econômica.


Por isso, essa população também é responsável por movimentar o mercado de luxo. Pessoas com 55 anos ou mais são muito mais propensas a ter deficiência do que outras faixas etárias. É justamente essa população que representa cerca de 80% do mercado de viagens de luxo, segundo levantamento da Allied Market Research.


Mesmo com a pandemia, as pessoas acima dos 55 devem ser responsáveis por injetar uma fatia significativa de mais de US$ 1 bilhão até 2022.



O comportamento dos viajantes com deficiência



O estudo dos especialistas em férias de luxo, Oliver's Travels, mostrou que, dentre as dificuldades principais citadas por viajantes com deficiência, estão problemas em aeroportos, companhias aéreas e outros meios de transporte que não estão adaptados para pessoas com deficiência. No entanto, o problema mais citado é a falta de opções de reservas de hoteis acessíveis, apontado por 25% dos entrevistados.


A pesquisa também reforçou que essa população gasta mais nas viagens, já que 40% dos entrevistados disseram que viagens acessíveis são sempre mais caras ou que ocasionalmente tiveram que pagar mais para obter o necessário suporte e adaptações para atender às suas necessidades.


De um modo geral, os entrevistados afirmaram que não acharam as operadoras de turismo particularmente favoráveis ​​ao atendimento a viajantes com deficiência e 16% disseram que aqueles que trabalham no setor de hospitalidade precisam receber treinamento completo sobre como entender e apoiar as necessidades de viagens acessíveis.


Esse pode ser um dos principais motivos pelos quais quase um terço dos entrevistados afirmam preferir viajar com empresas que priorizam viagens acessíveis.


A situação pode, no entanto, estar melhorando, já que 44% dos entrevistados afirmam ter visto uma pequena melhora nas opções acessíveis nos últimos 5 anos e esperam ver melhorias adicionais nos próximos 5 anos.



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