10 Fatos desconhecidos sobre a vida de um comissário de bordo




A profissão de aeromoça, ou comissária de bordo como é conhecida hoje, surgiu em 1930. Ellen Church, uma enfermeira apaixonada pela aviação sonhava em pilotar uma aeronave, porém o machismo da época impedia que mulheres exercessem tal função. Então, Ellen sugeriu à Boeing Air Transport que colocasse enfermeiras a bordo dos aviões para cuidar da saúde e segurança dos passageiros durante o voo.


Ellen foi a primeira aeromoça da história. Ela, assim como as outras profissionais contratadas, deveria ser solteira, não ter filhos, obedecer a um padrão estético e possuir peso e altura julgados adequados pela companhia aérea. As exigências eram muitas, mas os salários eram baixos.



Atualmente muita coisa mudou, podemos ver mulheres exercendo a função, menos preocupação com a estética dos funcionários e maior preocupação com a suas competências, entre outras mudanças. Mas o que não muda é a curiosidade que temos diante dessa profissão que aparenta tanto glamour.

Por isso, separamos dez fatos desconhecidos sobre a vida de um comissário de bordo para que você passe a ver esse profissional com outros olhos.


• Formação:


O profissional precisa realizar um curso por uma escola certificada, com duração de três a seis meses, nesse período os alunos aprendem sobre Regulamentação da Aviação Civil, Segurança de Voo, Meteorologia, Sobrevivência na Selva e Primeiros Socorros após acidente Aéreo, Emergência a bordo, Combate ao Fogo, entre outras disciplinas complexas.


Após as aulas teóricas e avaliações, o aluno passa pela experiência da selva, um período de pelo menos 48 horas na mata, colocando em prática o que aprendeu durante o curso. Além de colocar em prática os conhecimentos com exercícios como evacuação de aeronave, apagar incêndio, acender fogueira, caçar alimentos e atravessar um rio, existe uma pressão psicológica para testar como o futuro comissário se sairia em uma situação de estresse.



Mas não acaba por aí, após concluir o curso, o candidato ainda precisa prestar a tão temida prova da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). A avaliação é dívida em quatro blocos e é considerada a etapa mais difícil para quem pretende seguir essa carreira.


E para finalizar todo esse processo de formação, após concluir o curso e ser aprovado pela ANAC, o candidato precisa de um bom currículo, um curso de inglês ou espanhol e muita garra para conquistar a tão sonhada vaga na aviação, pois o cargo é concorrido.


Depois de ser contratado por uma empresa, o comissário de bordo passa por um treinamento intensivo e personalizado de acordo com a companhia área, nesse período ele é avaliado e acompanhado de perto, até ganhar suas asas (literalmente, pois há uma cerimônia onde o profissional ganha suas asas simbolicamente). Só depois de todo esse processo ele poderá exercer a profissão com autonomia.


Por isso quando for viajar, respeite e valorize o comissário de bordo, ele se esforçou muito para estar ali e não se limita apenas a servir sua alimentação e explicar as orientações do voo, em caso de emergia esse profissional pode salvar a sua vida.



• Padrão Estético:



A profissão de Comissário de bordo foi reconhecida por muito tempo como algo glamouroso, um mundo onde as mulheres predominavam, com seus saltos alto, maquiagem, cabelos e postura impecáveis, por isso eram muito sexualizadas.


Atualmente, a maioria das cias aéreas prezam pelo conforto e segurança do funcionário e priorizam pela competência do profissional. É claro que algumas exigências ainda são cobradas, como por exemplo a postura, altura mínima (precisa alcançar o compartimento de bagagens, mesmo que seja na ponta dos pés), estar com a pele, unhas e cabelos bem cuidados, ter um vocabulário formal e uma boa educação.


Hoje podemos observar que existem comissários mais velhos ou que não possuem um corpo padrão, além de profissionais com tatuagem, essas são algumas características que antes, não eram bem vistas na aviação.




O uniforme também está mais confortável. Sem perder a elegância, algumas empresas internacionais aderiram o uso de tênis para garantir maior conforto para seus funcionários.


• Gravidez e Maternidade:


Diferente de outros trabalhos formais, ao descobrir uma gravidez, a comissária é afastada imediatamente, pois, fatores como a pressurização e despressurização contínuas, estresse do cotidiano e a ausência de uma rotina comum, podem afetar a saúde da gestante e do bebê.


Ao todo, as mamães comissárias ficam por volta de um ano de licença, podendo ser incluso nesse período férias. Após o parto, ela ainda possui 180 dias de licença maternidade e todo o período de amamentação sendo remunerada da mesma forma.


Depois que retorna a sua rotina, a profissional pode solicitar que sua escala de voos seja alterada para apenas voos domésticos (nacionais) para facilitar sua rotina e não passar tanto tempo longe do filho. Porém essa alteração irá depender da companhia aérea.


• O romance está no ar:


É muito comum que os profissionais que atuam juntos se relacionem. Esse não é um comportamento que as companhias aéreas desaprovam, pelo contrário, quando existe um casal composto por tripulantes, geralmente a escala é modificada para que ambos não realizem o mesmo voo, mas isso não é feito com o intuito de separar o casal, mas sim, pensando que em caso em caso de acidente, não aconteça por exemplo, que um filho perca os dois pais de uma vez.


O casal de tripulantes também pode combinar a escala para que ambos possam ter suas folgas juntos, ou uma escala de voos diferentes, mas com o mesmo destino para curtirem um período de descanso ou folga acompanhados um do outro.


• Um atalho para ser Comandante:



Muitos profissionais com o intuito de se tornarem pilotos, pegam atalho na profissão de comissário de bordo. Isso porque as companhias aéreas realizam contratações internas, ou seja, antes que uma vaga seja aberta para o público, a empresa aceita a candidatura de seus funcionários para migrarem para outro setor.


Se o candidato possuir competência, formação técnica necessária e um bom histórico na empresa, ele passa pelo processo seletivo. Fazer parte da tripulação irá ajudar a conhecer melhor a rotina do cargo que almeja, além da possibilidade de network e garantir uma indicação de outros profissionais.


• Carona na concorrência:


Você já viu um comissário de bordo, viajando uniformizado em outra cia aérea? Saiba que isso é comum, um dos motivos pode ser o seguinte: Se o último voo do comissário que antecede a sua próxima folga é finalizado em outra cidade, ele tem a opção de passar sua folga na cidade em que está ou voltar para casa no próximo voo com a companhia aérea como passageiro (já que seu limite de horas de voo foi atingido).


Acontece que nem sempre a companhia tem voos ou acento disponíveis para que o tripulante retorne. Nesse caso, ele poderá voltar de carona com outra companhia aérea, para isso ele precisa estar devidamente uniformizado e verificar se há acento disponível para ele.


• Adicional Noturno


Geralmente, o horário de trabalho noturno, é considerado como o período entre às 22h00 de um dia e às 5h00 do dia seguinte. Na aviação, para os tripulantes, o horário noturno começa a valer a partir do pôr do sol até que ele nasça novamente. Ou seja, das 18h00 de um dia, até as 06h00 do dia seguinte.


O pagamento da hora noturna deve ser remunerado com valor superior ao diurno, por garantia constitucional, bem como deve ser computado aplicando-se o redutor da hora. Ou seja, o valor da hora é pago por 52 minutos e 30 segundos de trabalho.

  • Concessão de passagem área:


Esse é um benefício que não se estende apenas aos pilotos e comissários de bordo. Todos os funcionários que atuam em companhia aérea possuem concessão de passagens. Cada empresa possui uma política relacionada ao benefício, geralmente a concessão é válida após seis meses de registro na carteira e se estende a um determinado número de familiares.


Isso quer dizer que nos dias de folga e nas férias, o funcionário pode viajar com a família pagando apenas a taxa de embarque ou pagando um valor bem abaixo de uma passagem comum.


A concessão também é válida para voos até outros países, pois as companhias fazem parte de grupos internacionais que permitem essa interação. Claro que existem várias regras para viabilizar essas viagens, mas esse benefício funciona há anos e é um atrativo para que muitas pessoas queiram trabalhar na aviação.


• Colírio no café do passageiro chato:


Existe uma teoria de que durante o curso de comissário de bordo ou até mesmo entre os colegas de trabalho, é ensinado que, se um passageiro está dando muito trabalho é só oferecer um cafezinho com algumas gotinhas de colírio, que logo ele ficará com sono. Mas isso é só um boato que corre no mundo da aviação, (ou não!).




• Quando um sai da rota, todos sentem:


Diferente do que muitos pensam, os aeroviários e aeronautas são uma classe de trabalhadores muito unidos, até mesmo quando são empregados de companhias aéreas concorrentes. A aviação é um universo especial que reúne diferentes pessoas pela mesma paixão, como uma grande família.




Por isso quando acontece um acidente aéreo, seja comercial ou particular, todos os funcionários de companhia aérea se sensibilizam profundamente, pois sabem que poderia ter sido com qualquer um deles. Esse é um assunto delicado e que machuca especialmente quem compartilha a paixão de voar. Por isso há uma frase de impacto entre as tripulações quando estão de luto; “Quando um de nós sai da rota, todos sentem”.




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